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Depois Eu Volto

Com direção de Ricardo Reis e interpretação de Amanda Luzia, Depois Eu Volto é uma dança-manifesto que emerge das frestas entre memória, ausência e ancestralidade.

 

O espetáculo propõe um mergulho na experiência de uma mulher negra que retorna a si após uma longa travessia de silêncios. Ex-porta-bandeira do carnaval, ela revisita suas gavetas simbólicas, espaços onde repousam figurinos, feridas, sonhos e saberes, para recontar sua história através do corpo.

Entre o batuque e o silêncio, o corpo em cena convoca memórias coletivas de mulheres que sustentam a festa, mas raramente são celebradas fora dela. Aqui, na volta, ela se reinventa rainha, ocupa o centro da avenida e reergue sua própria bandeira.

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Depois Eu Volto é um solo de 30 minutos que emerge das encruzilhadas entre memória, corpo e ancestralidade. Criação e direção de Ricardo Reis, com interpretação de Amanda Luzia, a obra se lança ao território da espera, do retorno e das ausências que atravessam a experiência de ser mulher negra em um país que insiste em apagar seus corpos de cena.

Em um gesto de coragem e delicadeza, Amanda Luzia revisita sua própria trajetória e a de tantas outras mulheres negras, ex-porta-bandeiras, trabalhadoras da arte e da vida, que precisaram se afastar de si para sobreviver. Abrir as gavetas é também abrir feridas e afetos: gavetas que guardam o brilho do cetim e o peso do racismo, o tamborim e o silêncio, o corpo que dança e o corpo que resiste.

O espetáculo se desenrola ao longo de um ano simbólico, de janeiro a janeiro, acompanhando o ciclo da existência: o trabalho cotidiano, as pequenas batalhas e o esplendor fugaz do carnaval, tempo em que essa mulher se reinventa rainha, ocupa o centro da avenida e reerguer sua própria bandeira.

Depois Eu Volto é uma dança de recomeço e denúncia, uma travessia poética que costura o samba e a dor, o axé e a ausência. É sobre memória, o retorno a si, ao corpo que, mesmo cansado, ainda dança. É sobre as mulheres que sustentam o carnaval, que bordam com suor e sonho o pavilhão de suas vidas e que, entre o silêncio e o batuque, seguem abrindo caminhos.

 

FICHA TÉCNICA

DIREÇÃO ARTÍSTICA E COREOGRÁFICA: Ricardo Reis

INTÉRPRETE: Amanda Luzia

PRODUÇÃO: Maicom Souza

ASSISTENTE DE PRODUÇÃO: Laís Loyola

FIGURINO: Acervo Amanda Luzia

FOTOGRAFIA: Igor Maia, Bernardo Firme e Moreno Maciel

ORGANIZAÇÃO: Espaço Cultural Emaranhado e Coletivo Emaranhado

AGRADECIMENTOS: Ana Caram, George Falcão e Izabella Azevedo

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